O DIABO VESTE PRADA

 




Andrea Sachs está sentada em um carro, o cigarro aceso, cumprindo uma tarefa que Miranda Priestly delegou. É assim que começa o livro “O diabo veste Prada”.

No filme, Andrea está descobrindo as maravilhas de trabalhar na revista de moda mais influente dos EUA, mas no livro as coisas mais intensas se apresentam de formas diferentes. Algumas cenas são mais absurdas do que nos filme, Andrea tem mais personalidade e a relação dela com o namorado não tem tanto destaque.

Li o livro por volta dos meus 15 anos e muito do foco da história se perdeu com o tempo, mas me lembro da impressão de virar cada página…

Não gostei do livro.

Obviamente fui muito influenciada pelo filme, porque adoro a história daquela forma de ser contada, mas tem mais… No livro, a história se desenrola com certo tédio, com Andy tendo uma personalidade mais ácida e a escrita não ajuda muito.

A impressão geral que fica é a de que falta algo. E quando olho a mulher que me tornei, entendo que o que falta é o ritmo da narrativa bem escrita e do timing para o humor amargurado que a casa dos 20 anos nos proporciona.

Lauren Weisberger não tem um ritmo muito prazeroso de leitura, carece de boa frequência e liga os acontecimentos da história como uma jornalista ou uma advogada. Focar em fatos é delicioso, mas quando se faz isso com autenticidade.

Como boa literatura, resumindo, a obra deixa a desejar por culpa de uma cadência narrativa equivocada.

Andy está por volta dos vinte e tantos anos, que é uma época de transição na vida de qualquer pessoa. Afinal, nesse momento não somos mais adolescentes, mas ainda estamos descobrindo como ser adultos. O humor ácido se desenvolve nesse momento da vida, as descobertas são mais sobre nós dentro do mundo em si e tudo isso se perdeu na obra, ao meu ver.

Acho que poderia ter mais a oferecer e um direcionamento adequado teria dado à história algo melhor. Me faltou isso no coração enquanto lia.

Mas não quer dizer que seja de todo ruim. De 0 à 10, “O diabo veste Prada” vale 5. Está na média, se classifica como um livro de quase não-ficção e tem bons personagens e enredo. O fato de muitas das coisas serem inspiradas em fatos reais, passados pela autora quando ela trabalhava com moda, ajuda muito.

Sua carência de simpatia e carisma na escrita me impede de valorizar mais sua obra, e é quase trágico que o roteiro do filme tenha sido muito mais bem elaborado do que o livro que o inspirou. Uma pena!

No entanto, gostei de ler e de entender como a autora viu tudo que passei naquela época caótica da própria vida. Especialmente sobre Andy e Emily. A amizade das duas cresce sem que elas percebam, e se tornar um time deixa tudo mais empolgante, mesmo que ainda seja meio frio o relacionamento das duas.

Minha versão de 15 anos não gostou muito, e a versão de 15 anos depois ainda se ressente de pontos que poderiam ter sido melhores. Mas talvez seja exatamente essa a graça da coisa: não gostar de tudo que criei expectativas sobre.



autora: Lauren Weisberger

país: Estados Unidos da América

leitura: livro físico

playlist: los angeles

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