O SINALEIRO

 




“O sinaleiro” é um dos poucos contos de terror que já gostei na vida. E entendo que só gostei dele porque é despretensioso e calmo. Tem o tom tímido de um terror premonitório que Dickens sempre se permitiu usar em suas narrativas.

A edição, que li pelo Kindle, tem apenas 15 páginas e pode ser lido em uma hora ou menos, a depender da velocidade de leitura de cada um. A escrita é fácil e rápida, o que torna o conto suave.

O terror não tem tom de suspense, mas de teor sobrenatural.

A história conta sobre um sinaleiro sem nome, reconhecido como um dos melhores de sua profissão, que faz uma rápida amizade com um homem que cruza seu caminho por acaso. Ambos anônimos, compartilham a companhia um do outro em duas noites aleatórias, na guarita de trabalho do sinaleiro.

Enquanto conta ao homem sobre a aparição fantasmagórica que o assombra de boa fé para lhe prevenir das tragédias, o sinaleiro tenta soar calmo. Não funciona, no entanto.

Consagrando Dickens ainda mais, sinto que o conto pode ser divertido para quem quer começar a ler terror, mas não sabe por onde se arriscar primeiro. Com a facilidade da narração, não dá tempo de sentir medo das personagens ou da trama, mas é possível tremer um pouco com a abordagem da história em si.

Sempre gostei de Charles Dickens, mas nunca tinha lido esse livro, e agora sinto que demorei demais.

Gostei da forma como as coisas acontecem e não me incomodei em nada com a obviedade da trama. É uma história prazerosa de ler.

Vi uma resenha de alguém que disse que o conto inspirou mensagens de presságio que vemos com frequência nas redes sociais — e que eram ainda mais comuns na época do Facebook e do Orkut —, e concordo um pouco. Tem esse ar descontraído mesmo.

Dickens é um autor visual e isso ajuda a criar um cenário tenebroso, quase sombrio, porém fácil de acessar e compreender. Quase conjurei Willem Dafoe como o sinaleiro na minha cabeça… É uma história muito acessível — imaginativamente falando —, de tão boa.

Volto a colocar uma obra de Dickens em alto mérito na minha memória. Cinco estrelas pelo conto, e uma nova onda de pura admiração por seu trabalho.

E também deixo a dica crucial: se não leu nada dele ainda, comece pelo mais leve e mais simples. Esse conto é um bom exemplo! Dickens se dava muito bem escrevendo contos, especialmente daqueles que uniam o sobrenatural e deixavam uma certa moral da história para o público digerir.

Era seu dom!



autor: Charles Dickens

país: Inglaterra

leitura: Kindle

playlist: aberdenn

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