O ENIGMA DO QUARTO 622

 




Os Alpes Suíços são um cenário paradisíaco para qualquer fã do inverno e da vida de luxo. E foi lá que alguém foi assassinado, no quarto 622, no hotel Palace de Verbier.

Com uma história que vai e volta no tempo, mesclando presente e passado, “O enigma do quarto 622” é um deleite para quem gosta de investigação. O melhor tipo de trama policial…

Joël é um escritor famoso, que está enfrentando a dor do luto pela perda do amigo e editor de toda uma vida, quando conhece e se apaixona por sua nova vizinha.

Quando o relacionamento azeda e eles terminam, Joël tira férias no Palace de Verbier e descobre que o hotel não tem um quarto 622 entre o 621 e o 623, mas sim um 621bis. E com a ajuda da sua vizinha de quarto, Joël usa suas merecidas férias para dar uma pausa no livro que quer escrever sobre seu editor e passa a investigar o assassinato que assombra o hotel há anos.

É um livro vertiginoso e alucinante. Eu não conseguia largar, de tão curioso que é…

Se infiltrando entre os podres dos banqueiros milionários, romances complexos e toda a elite suíça, Joël mescla suas descobertas com suas memórias ao lado do seu amado e falecido editor.

Considero justo dizer que Joël Dicker, o autor do livro em si, é um dos autores de romances policiais mais atentos e criativos que já li. Mas não quer dizer que essa seja a sua melhor obra.

“O enigma do quarto 622” foi meu primeiro contato com o autor e eu adorei. Fiquei viciada, tanto pela história quanto pela escrita. Mas me chateei com o final.

Por ser um livro muito longo, muito da trama foi elaborada, porém poderia ter uns 20 capítulos à menos do que tem. Lá pela metade do primeiro plot, já dava para saber quem era o assassino, e — para mim — isso tirou um pouco do impacto e fez uma parte da trama final ser meio “sessão da tarde” demais.

Ainda assim, a escrita é boa e cativante. Fiquei encantada pela facilidade do autor em dançar com as personagens como em um jogo de xadrez bem estruturado. Cada personagem tem uma trama própria muito bem elaborada, com personalidades bem desenvolvidas e com abordagens únicas. E quase posso jurar que o personagem principal, Joël, não compartilha apenas o nome com o autor real…

Isso só torna tudo ainda mais interessante.

Para ser justa, a obra merece uma nota sete, de 0 a 10. Tem bom enredo e boa escrita, mesmo que o final seja óbvio. Mas também tem algo muito forte no imaginativo geral da história.

Ouvi muita música francesa enquanto acompanhava a história… Acho que o clima geral alimentou esse espaço imenso da trama, mesmo que tenha tido uma pequena decepção. Ainda assim, indico demais a história.

Só que a ressalva é válida… Não adianta se jogar nesse livro do autor e esperar um final consciente. As coisas desandam um pouco, algumas coisas ficam óbvias e outras só causam uma certa vergonha alheia. Parece que ele elaborou tanto, que cometeu certos exageros imaginários impossíveis de consertar.

Mesmo assim: leia! É uma obra muito boa, de fato.



autor: Joël Dicker

país: Suíça

leitura: audiobook

playlist: coire

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