OS MARIDOS
Lauren chega em casa depois da despedida de solteira da melhor amiga e é afetuosamente recebida por seu marido. Ele está presente em toda a vida dela e suas coisas pelo apartamento de Lauren. Parece lindo. E seria lindo, se ela se lembrasse dele.
Mas não se lembra. Lauren não consegue se lembrar de ter casado ou namorado com aquele estranho. Até que ele entra no sótão do apartamento e desaparece, só para outro homem surgir no lugar.
Antes de ficar completamente louca, ela percebe que seu sótão se tornou mágico de uma hora para outra. E ele está cuspindo maridos novos quase todos os dias. Não apenas maridos, claro, mas vidas inteiras que não são dela.
Toda vez que um novo marido surge no sótão, uma nova vida vem junto… Como um Tinder particular e secreto.
Repito o que afirmei no Instagram: a crítica é boa.
“Os maridos” usa o clássico humor britânico para debochar da liquidez das relações modernas e do leilão virtual dos aplicativos de namoro. É bem interessante.
A metáfora do sótão que pisca a luz e faz um ruído de clique toda vez que o antigo marido troca de lugar com o atual, nos remete ao plano dos aplicativos de “jogar” as fotos das pessoas para os cantos da tela. É quase como comprar gado pela televisão: sem sair de casa, avaliação instantânea do outro e mudança de plano ao qualquer sinal de golpe.
Realmente amei a escrita da autora. Ela tem uma cadência avassaladora, algo que nos prende.
A narrativa tem vários pontos bons… A reflexão sobre ética amorosa e responsabilidade afetiva, assim como o questionamento sobre efeito borboleta e sobre a desvalorização da mulher, especialmente a mulher solteira. Tudo isso compensa.
Ainda mais quando surge a óbvia dúvida: e o amor?
Só que como tudo tem um porém, “Os maridos” não é impecável.
Logo vai fazer um ano que o li, e ainda não entendi porque o sótão começou a cuspir vidas. Entendo a metáfora, mas a prática me pegou desprevenida.
Em algum momento, pareceu que ela se perdeu e foi só escrevendo o que dava na telha, mesmo com toda a linearidade da narração. Acho que algumas coisas poderiam melhorar e poderiam ficar mais eficientes e explicadas.
Ainda assim, eu leria mais coisas da autora.
Adieu!
autora: Holly Gramazio
país: Inglaterra
leitura: livro físico
playlist: attapeu

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