A MENINA QUE ROUBAVA LIVROS

 




Todo mundo, hoje, conhece a história de Liesel e sua fascinação por roubar livros durante a perseguição nazista da Segunda Guerra Mundial. A obra ficou famosa

De tempos em tempos, gosto de revisitar essa história. E não porque ficou famosa, mas porque é cativante.

Favoritei “A menina que roubava livros” quando o li pela primeira vez, por volta dos meus 16 anos. Agora, mais de 10 anos depois, me choco com o fato de que a história quase não é mais comentada.

Liesel é entregue pela própria mãe à uma organização que realoca crianças de famílias perseguidas pelo sistema nazista e as coloca em lares adotivos em troca de dinheiro. Como estava sendo perseguida pelo governo de Hitler, por ser comunista, a mãe abre mão de Liesel e de seu irmão mais novo.

Só Liesel chega ao destino.

Quando o irmão falece no trajeto até a nova casa, o coveiro que o enterra perde o livro e Liesel o pega para si. Depois de chegar à nova casa, ela adquire o hábito de roubar os livros que consegue, porque seu novo pai a ensina a ler e a ajuda.

O livro exibe o crescimento e o amadurecimento de Liesel em câmera lenta. O sistema brutal do nazismo se escancara ao público, nos fazendo chorar, enraivecer e sorrir com os poucos momentos felizes que Liesel tem.

É um misto de emoções muito complexo. Mas queremos sempre que Liesel seja feliz.

Ainda sou apaixonada pela história e pela escrita de Zusak. Sinto que ele criou um estilo de narrativa difícil de ser esquecido. É apaixonante e comovente.

Depois que a história nos fisga, é difícil largar. Quase impossível.

Além disso, há certa raridade nesse tipo de escrita. Não apenas literária, essa obra é educativa sem ser cruel, apesar de ser crua e realista. Tem uma escrita poética, apesar disso.

Se eu fosse mãe, teria feito o mesmo que minha mãe fez na época e teria pedido que meus filhos lessem. Para compensar, passei os últimos 14 anos indicando-o para todas as amigas que pude.

O reflexo sincero da obra é muito impactante. Mas o livro não é grotesco ou violento. Os momentos tristes são dosados com cuidado e é fácil entender até onde chega a tristeza.

Também foi uma das poucas vezes em que vi um livro render um roteiro adaptado tão cuidadoso, fiel e delicado. O filme homônimo foi feito com esmero. Mesmo com algumas diferenças, ambas as versões se completam e se sustentam como ótimas.

Todas as cinco estrelas que dei ao livro, ano após ano, já formaram uma constelação própria.



autor: Markus Zusak

país: Alemanha 

leitura: livro físico

playlist: berlin

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