O CONTO DA AIA

 




Comecei em dezembro de 2025, em uma leitura conjunta com uma amiga, mas depois de vários imprevistos, só terminei em janeiro de 2026. E tudo bem.

Sem um nome de verdade, a protagonista se apresenta como Offred (que em inglês quer dizer “do Fred”, já que é a junção de “of” com o nome Fred, que é seu “dono” novo) e explica como os EUA se tornou a República de Gilead. E em Gilead as mulheres retornaram ao estado precário e original que tinham em civilizações arcaicas e trogloditas: são objetos.

As mulheres que podem ser esposas, gozam de boa vida, enquanto o resto das mulheres se dividem entre empregadas domésticas e incubadoras humanas. As incubadoras são as aias. Offred é uma aia.

Enquanto lemos, descobrimos que o livro é ficcional, mas também serve de documento histórico. E, mais recentemente, como um alerta de para onde o mundo está caminhando… Meu timing para ler esse livro foi assustadoramente preocupante.

Já tinha lido alguns contos da autora, então as expectativas estavam altas. Mas me surpreendi quando o tom morno seguiu. Foi um choque.

A escrita é maravilhosa, de fato. O ritmo é impecável, direto e fácil de entender; a abordagem é pragmática.

Atwood não se intimida para falar, e é eloquente. Seu discurso é filosófico, abordando machismos estruturais, corrupções inevitáveis, imediatismo acadêmico e críticas à ditaduras complexas e ideológicas. Bem daquele tipo que a direita acusa a esquerda de instaurar, mas que, na primeira oportunidade, usa o poder militar para realizar e patrocinar…

Ou seja: “O conto da aia” não é distópico.

E como nem tudo é perfeito, o que mais senti falta foi de uma protagonista reativa. E reconheço que fui iludida pelas insistentes propagandas que juravam que a série era revolucionária. Deduzi que seria assim no livro também, mesmo sendo só uma propaganda bem feita.

Não assisti a série, mas se ela for revolucionária, não combina em nada com a narrativa do livro. Não mesmo!

Offred é pacata e conformada no seu papel de submissão. Ela não tem culpa moral, nem desejo sincero de mudança, e isso me entediou um pouco. Nada acontece, ela não faz nada acontecer. A história é muito boa, fora essa questão de mansidão.

Dizem que “Os testamentos” é bem melhor, mas ainda não o li… Veremos.

Adieu!



autora: Margaret Atwood

país: EUA

leitura: livro físico 

playlist: chicago

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