O MOINHO À BEIRA DO RIO FLOSS

 




Tom e Maggie Tulliver começam a história como duas crianças de vida boa, que desfrutam de uma bela casa com um moinho perto do rio Floss. Mas eles crescem.

Suas traquinagens infantis são consideradas meu gênio herdado pelo sangue do pai, e como toda obra publicada na segunda metade dos anos 1800, tem a demonização do temperamento feminino como foco.

Com acontecimentos que fazem os jovens Tulliver amadurecerem cedo, descobrimos que o temperamento insubordinado de Maggie vem justamente da parte da família que mais a critica: o lado materno.

Foi minha primeira vez lendo algo de George Eliot e fiquei completamente viciada!

Apesar de ser um clássico e da edição que li ter uma tradução um tanto rebuscada do português de Portugal, foi fácil e fluido; e gostei de como a obra se comportou em questão de narrativa. Tudo tem um ritmo muito suave.

Fiquei completamente apegada à Maggie. Seu temperamento é agradável e seu arco de heroína é bem estruturado. Senti que Eliot criou Maggie com um prazer incalculável… As críticas ácidas ao temperamento feminino de seu tempo são cirúrgicas e têm amplo espaço para compreensão da sua provocação social e seu próprio ponto de vista.

Tom, por outro lado, me gerou pouca simpatia e quase nenhuma identificação. Senti que, assim como Maggie, a autora o usou para provar um ponto pessoal de sua visão sobre o masculino. O que é bem interessante.

A quebra da quarta parede literária também foi uma surpresa feliz. George Eliot não se intimida para pausar sua narração direta e fofocar com o leitor. Tudo acontece como se fosse uma conversa corriqueira em um domingo à tarde.

O plot é um surto! Passei o livro todo escolhendo lados e torcendo por esse ou aquele final para cada personagem… Só que a autora nos prega uma peça.

Com um final totalmente inesperado, fiquei ainda mais apaixonada pela história, e terminei o livro aos prantos. O fim é muito comovente.

Achei que fosse me sentir culpada por não começar por “Middlemarch”, mas estava errada. Foi uma escolha feliz conhecer George Eliot por “O moinho à beira do rio Floss”.

Adieu!



autora: George Eliot

país: Inglaterra 

leitura: Kindle

playlist: mainz

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