ANÁLISE

 




Quando esse livro entrou na moda do bookgram no ano passado, eu me retraí. Fiquei intimidada com tantas resenhas que afirmavam que a história usava muitos termos técnicos e que tudo parecia denso.

Ao me resguardar, cometi o equívoco de deixá-lo para depois. 

Tolice!

Vera Iaconelli usa da escrita para exorcizar o Diabo que é a própria consciência, fluindo sua trajetória ao lado da análise desde antes de começar uma relação direta com a terapia. De verdade mesmo.

O uso dos termos técnicos não são uma afronta. Pelo contrário.

Iaconelli fala com simpatia das questões mais científicas e explica tudo que diz e o que quer dizer. Não há desculpa para evitar o livro por esse aspecto.

A questão da mulher como indivíduo e do papel da família no amadurecimento são alguns dos temas principais. Assim como o luto e a busca do entendimento feminino pelo apego — ou falta dele —, pelo lugar do pai no crescimento.

Várias questões foram deveras interessantes.

Enquanto lia, me analisava também…

Contrariando o diagnóstico digital e as minhas expectativas negativas, eu amei! E me choca isso.

“Análise” se tornou meu segundo lido de fevereiro, se encerrou três dias depois do meu aniversário e fez bons estragos na minha saúde mental. Vera Iaconelli vai virar tema da minha terapia.

Sendo sincera, se tornou um dos preferidos do ano. Sei que, lá em dezembro, ainda vou estar falando dele.

Com histórias que recriam a infância delicada, a autora dá uma aula sobre a função da terapia na vida, deixando claro que tudo tem uma razão. E mesmo que não tenha uma razão aparente, nosso cérebro se lembra de tudo.

Meu amigo disse que, se esse livro fosse uma canção, seria “Amygdala”, de um cantor chamado August D. Não conheço a música, mas se for tão boa quanto o livro, eu a respeito.

Adieu!



autora: Vera Iaconelli

país: Brasil

leitura: audiobook (na voz da própria autora)

playlist: ville

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