O ÁLBUM BRANCO
Descobri Joan Didion enquanto lia “Aos dezessete anos”, e passei muito tempo querendo ler seus livros, mesmo já conhecendo sua biografia. Quando finalmente a li no ano passado, compartilhei a experiência ao lado de uma amiga querida.
Foi ainda mais interessante!
A coisa mais óbvia sobre Didion é que, mesmo em uma sala abarrotada de gente, com ruído social que engole, é possível ouvir o silêncio dos ecos e das pequenas interrupções. E isso ela domina como ninguém.
Reunindo ensaios que começam em 1967 e alcançam os anos 1970, Didion foca em falar da Califórnia e do feminino, abordando sua percepção de si mesma em uma comunidade extremamente rica. A crueza das situações é deliciosa.
Didion usou o livro “O álbum branco” para voltar no tempo na sua própria carreira como jornalista. As abordagens políticas transbordam das páginas.
A brincadeira do título também é curiosa…
Quando os Beatles lançaram o “White Álbum”, a proposta era focar sua sonoridade ao regresso e a valorização do básico. Lançado em 1968, Didion viu de perto a indústria musical surtar com o lançamento que se tornou um clássico desde os primeiros momentos. Só que 1968 foi caótico para ela, nada voltava ao básico em sua vida, e os ensaios deixam explícita a piada dos paralelos.
A ironia ácida seria ainda maior quando, no ano seguinte, Didion cruzaria com a obra dos Beatles de novo. Dessa vez, com a morte brutal de Sharon Tate, sua vizinha, pelas mãos da família Manson. E Didion se debruçou sobre o caso…
Enquanto lia, sentia que ela se tornou séria e fechada com o decorrer da vida, que as dores começaram a pesar demais e que ela escrevia para se proteger de si mesma. De uma consciência que não parava de se expandir.
Fiquei apaixonada por sua obra. Fui consumida pela sua excelência, e fiquei desejosa por mais. A meta é ler tudo dela até os 30 anos. Veremos…
Adieu!
autora: Joan Didion
país: EUA
leitura: livro físico
playlist: cheshire

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