A GAROTA INVISÍVEL
Lançado em 1833, em um periódico britânico, o conto “A garota invisível” tem ares de terror e de abordagem gótica, mas abraça o drama de si mesmo com cuidado e afeto.
Mary Shelley o escreveu com o mesmo tipo de narrativa de “Frankenstein”: simples, sem floreios e com crítica. A obra é humilde e de fácil acesso verbal, mas seu peso histórico é interessante.
Recriando os passos de uma jovem que ficou órfã muito jovem e precisou da piedade de um guardião legal para poder sobreviver com um pouco de dignidade, Shelley conta sobre como, já adulta, a garota perde seus favores ao se apaixonar pelo filho do seu protetor.
É quase poético de tão provocativo.
A história da pobre moça é relatada pois dois homens do mar que se veem obrigados a se refugiar na torre que, anos antes, a desafortunada se refugiou depois de ser injustamente expulsa de casa. O romance correspondido pelo filho do guardião se torna trágico. Eis então a boa crítica.
Em uma Inglaterra de 1800, o amor era uma piada que só podia ser contada entre dois pobres. E olhe lá!
Casamentos eram contratos feitos para enriquecer as duas famílias que se uniam e ficava por isso. Concubinas talvez até recebessem demonstrações de amor, mas era tudo.
Uma mulher órfã era a última opção na escala de hierarquia. Especialmente quando a outra parte era rica. Homens naquela época escolhiam dotes e submissão, da mesma forma que que os homens de hoje escolhem listas de seguidores e submissão. Como vemos, as coisas não melhoraram muito para as mulheres.
Com pouca repercussão naquele tempo, a crítica em forma de conto ao melhor estilo “lenda urbana” ficou quase abandonado entre tudo que a autora publicou. Voltando à luz só agora, é fácil encontrar traduções pela internet e pela Amazon.
O gracejo do título também conquista… A protagonista é invisível porque é um fantasma ou porque é uma mulher sem outras opções?
Pode ser ambas as coisas. Seu silêncio se alastra e não a vemos contar a própria versão dos fatos.
Gostei muito do conto. O achei confortável de ler e um tanto magnético. Por ser curto, pouco mais de uma hora cumpre bem o propósito da leitura.
Sinto que é uma boa forma de começar a ler terror, e também é bom para iniciantes na escrita da autora. Até como material didático poderia servir.
Adieu!
autora: Mary Shelley
país: Inglaterra
leitura: Kindle
playlist: ennis

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