O OUTONO DOS IPÊS-ROSAS
“A pessoa que tem certezas é poupada de perplexidades”. Isso define bem o temperamento inicial de Martin Stieglitz, protagonista de “O outono dos ipês-rosas”.
O li em uns quatro dias, nesses dias muito chuvosos de janeiro, e fiquei apaixonada de um jeito curioso. Eu moro em São Paulo e me vi imersa na história, como se estivesse flanando pelo Jardim Europa em um fuso diferente… Martin fazia isso de dia, e eu o lia nas madrugadas silenciosas.
Não há sinopse, aliás. O livro é isso: Martin caminhando entre o Jardim Europa, o Itaim Bibi e suas memórias da Europa germânica que ele não conheceu como seus avós e seus pais. Cada um dos capítulos contando algo sobre Martin e sobre a pessoa que ele gosta de imaginar que é.
Fala sobre a vida que herdou de seus pais e de seus avós, fala sobre a Segunda Guerra Mundial, fala sobre as famílias milionárias de uma São Paulo que está sumindo e se consumindo no moderno que os novos ricos estão criando.
De certa forma, Martin está apenas sendo nostálgico. E isso faz o livro sem si ser completamente nostálgico para o leitor também. Afinal, qualquer paulista conhece, em seu círculo pessoal, alguma versão de Martin e das pessoas que o rodeiam.
Não entendi nada da inspiração para a história, eu assumo. Mas eu a adorei.
E quando digo que não entendi, quero dizer que não compreendo o intuito do autor em escrevê-la. É uma forma de guardar a São Paulo milionária dos colecionadores de arte fugidos da Europa? É a busca por humanizar os super-ricos? Ou seria uma piada sobre suas posturas?
Independente do que foi intuído, a verdade é que a história é acolhedora. Nada acontece de empolgante. E nem precisa.
“O outono dos ipês-rosas” é um relato suave e bem escrito sobre a vida dos judeus germânicos, que fugiram para as Américas, escapando das mãos cruéis de todos os tipos de ditadores antissemitas que o velho mundo já conheceu.
O que me conquistou foi a forma do autor escrever. Gostei das fotos de memorabilia e de todas as notas de rodapé que recontam a história. E não apenas a história da família de Martin, mas de um mundo que a maioria de nós só conhece por livros: o mundo do silenciamento dos povos judeus na busca pela sobrevivência.
A história é delicada, como um passeio em uma tarde amena.
Minha parte preferida foi: “E uma pessoa que conhece três línguas é trilíngue; uma pessoa que conhece duas línguas é bilíngue e uma pessoa que conhece uma única língua só pode ser americana.”
Dito isso: a obra é uma experiência.
Adieu!
autor: Luis S. Krausz
país: Brasil
leitura: e-book
playlist: grouville

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