A PROFESSORA

 




Eve e Addie são completos opostos. E não apenas porque Eve é adulta e professora de matemática, enquanto Addie tem 16 anos e é péssima com números. Elas são opostos completos porque nenhuma das duas é confiável na versão de si mesmas que se propõem a ser.

Claro que isso não quer dizer muita coisa. Elas não são narradoras confiáveis por várias outras razões diferentes. Eve é muito correta, mas esconde um passado complexo; Addie não é confiável porque já fez coisas absurdas.

O que une as duas, no entanto, além da geografia e das intermináveis aulas de matemática, é Nate.

Ele é marido de Eve e professor de inglês de Addie. E ele também não é um narrador confiável.

“A professora” foi minha segunda experiência com a escrita de Freida McFadden e foi meu segundo livro de 2026. E eu derreti.

Em algum momento, comecei a achar que já sabia o final, que a história estava começando a se parecer com “O namorado”, em sentido narrativo. Mas eu estava completamente errada.

McFadden realmente me surpreendeu e fiquei em silêncio por algum tempo, tentando absorver o que tinha lida. Minha mente ficou inquieta e não absorvi bem. Especialmente o enlace final das protagonistas.

E olha que o final é “feliz”.

A escrita é bem feita e McFadden prova que todos são suspeitos até que se prove o contrário. Sério! Ninguém aqui é inocente, confiável ou passível de inocência real.

Fiquei apaixonada pela obra como um todo e senti que tudo se encaixou bem. Nada ficou de fora e o fim é justo.

Só que preciso admitir que terminei a história curiosa sobre o que acontece com cada um dos personagens quando a última página é virada. Eu queria mais, mesmo sabendo que aquilo não casava bem com o enredo ou a proposta da trama.

Livros acabam quando terminam, mesmo que isso seja frustrante.

“A professora” é uma história provocativa e crítica, ousada ao falar de hormônios e psicopatas em um mesmo ambiente. Sincera sobre o peso de traumas e acolhedora sobre justiça. É tão viciante que merece aplausos.

Para quem nunca leu nada da autora, talvez essa seja uma das melhores apostas iniciais. Tudo flui bem e as reviravoltas são alucinantes. O desfecho choca, mas aquece. E mesmo os momentos mais gráficos são fáceis de encarar, porque não é uma violência tão chocante.

Nenhum dos personagens é cativante, no entanto. A narrativa que, por ser tão envolvente, compensa a falta de carisma deles e faz isso ser apenas um detalhe. O enredo se sustenta bem, como um bom jogo de xadrez.

Adieu!



autora: Freida McFadden

país: EUA

leitura: audiobook

playlist: schiedam

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