ENTRELINHAS
Criando uma tradição de ler pelo menos um livro por ano ao lado de uma amiga querida, li “Entrelinhas” em conjunto. Só que essa foi uma leitura mais densa do que “O álbum branco”.
Aqui, 111 meninas assumem a responsabilidade de um crime que cometeram. Mas sem dizer uma palavra. E óbvio que tal crime foi justificado. E muito justificado.
Mas quem se importa?
Quando a pequena Eva, mantida em cárcere privado pela própria família, em um bairro rico, vira amiga de Dalila e Jeza, pelas grades do portão de sua casa, ninguém liga. É só quando as meninas lideram uma revolução que as coisas começam a acontecer…
Dividido entre a parte da história em que a força feminina surge e o momento do julgamento do crime acontece, terminei o livro querendo mais.
Terminei querendo saber a razão de Eva ter vivido em cárcere privado. Terminei querendo saber a razão das meninas da comunidade de Jeza sumirem aos 12 anos. E queria saber o que houve com a governanta.
Só que também queria justiça.
Queria o juíz, o promotor e defensor público pegos no flagra. Queria os crimes contra as meninas sendo expostos. Fiquei frustrada e revoltada.
Há tanto que eu queria!
Só que aceito o que tenho — por falta de opção. Afinal, S. Ganeff escreve muito bem, tem uma bela comunicação com o público. O que é difícil quando se fala com leigos sobre juridiquês.
A provocação de que a lei não é o que vemos na TV também é válida, e coloca a discussão em outro patamar. O machismo e as estruturas sociais também são provocativas do jeito certo. Adorei isso com todas as minhas forças.
Depois de concluir a leitura, pensei na história como metáfora bíblica também… Claro que esse é só um surto meu, mas me soou assim em alguns aspectos.
Eva presa no jardim, Dalila se responsabilizando por descobrir de onde vem a força feminina, Jezabel destinada a cumprir uma profecia. Pareceu plausível para mim. Até o fato de serem três homens a decidirem o futuro delas…
Eis o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Tudo tão machista quanto a palavra bíblica.
Um livro completamente reflexivo.
Adieu!
autora: S. Ganeff
país: Brasil
leitura: Kindle
playlist: edessa

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