O VENTO DA NOITE

 




Antes de publicar “O morro dos ventos uivantes”, Emily Brontë publicou um livro de poemas. Co-escrito com suas irmãs, Charlotte e Anne, o livro ganhou quase nenhum reconhecimento da crítica e menos ainda do público.

Mas foi o suficiente.

Com nomes já no circuito literário, ficou fácil para as três publicarem os romances que as marcariam para sempre na história da literatura mundial. Anos depois de suas mortes, os poemas e seus trabalhos de juvenília foram resgatados por historiadores entusiastas de todas as obras… E o que mais foi celebrado, nesse resgate, foi a poesia da Emily.

Mais sublime que as irmãs, foi ainda em vida que seu trabalho como poetisa foi assumidamente o mais notável. Era provocativo e sombrio, exprimia bem sua força e sua originalidade. Fazia qualquer um se arrepiar com a potência.

Emily escrevia com sobriedade. Sua energia literária é incontestável!

Em um resgate histórico desse trabalho, uma pequena coleção mais seleta chegou ao Brasil com o nome “O vento da noite”. E nos conquista de primeira.

Emily Brontë escrevia com potência sim, mas usava a natureza para criar metáforas sobre a vida, divergindo do que geralmente se espera. Eu me arrepiei lendo… É perfeito.

Chorei em alguns, eu assumo. E registrei favoritos! Entre eles, o suave “Dormindo”, que reflete o fluxo de pensamentos da autora durante o sono. Sua percepção sobre dormir.

Deixando claro que não era no sono que achava paz, o poema soa quase premonitório sobre o futuro não tão distante que a aguardava: a morte prematura.

“Minha alma não teme coisa alguma” também arrepia. Parece um aviso, algo premonitório. Emily sabia o que a esperava depois que adoeceu no velório do irmão.

O livro fecha dessa forma. A certeza do adeus é consoladora e também assusta. Mas criou um belo poema.

E como seu romance, o fluxo cresce. A organização é bem feita e a edição foi gentil. A tradução nos faz chegar perto do que Emily queria transmitir, sem fazê-la soar arrogante. Eu amei!

Adieu!



autora: Emily Brontë 

país: Inglaterra

leitura: e-book 

playlist: kokkola

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