ENTRE CABRAS E OVELHAS
Grace e Tilly estão dispostas a usar o verão de 1976, naquele bairro remoto da Inglaterra, para descobrir porque a senhora Creasy desapareceu sem deixar rastros. O calor é sufocante e ninguém na Vila sabe como e nem porquê a senhora Creasy desapareceu da noite para o dia.
Parece que ela apenas foi embora. Mas, ao mesmo tempo, algo na trama sugere que foi um sequestro ou um assassinato. É o que todos os adultos da Vila pensam, mesmo que evitem falar na frente das crianças. Eles têm razões para deduzir isso…
A verdade é que, tirando nossas protagonistas jovens demais, todos na Vila têm algo a esconder. Há um grande segredo que marca o ano em que Grace e Tilly tinham acabado de nascer. E passamos o livro inteiro com a certeza de que ninguém ali é confiável.
Enquanto tentam descobrir o que houve com a senhora Creasy, Grace e Tilly passam a investigar a existência de Deus. Porque parece plausível que Deus possa ter a resposta do mistério do desaparecimento.
E é daí que vem o título do livro.
Se Deus é responsável por pastorear um bando de ovelhas, parece natural que uma ou outra cabra se camufle no meio disso. E não é apenas porque o padre do livro o diz, mas fica óbvio quando vamos aprendendo sobre cada um dos personagens…
A ideia toda é boa. O cenário e as interações me remeteram à algo de “Edward mãos de tesoura”, e senti que tudo na história tem esse ar esquisito em que parece que alguma coisa vai saltar das sombras e mudar tudo. E salta mesmo. Mas não é nada do que estamos esperando.
Não achei que a história entregou tudo que prometeu, faltou uma explicação final para alguns detalhes da trama e fiquei com a sensação de que poderia render mais. Mais uns dois capítulos teriam me deixado bem feliz. No entanto, a história é boa apesar disso.
Quando olhamos com mais atenção, notamos que a história da senhora Creasy é apenas uma desculpa para expor a divisão da própria infância… Seria Grace uma cabra? Seria a narração infantil a principal amostra da racionalização humana?
Fiquei com dúvidas sobre isso tudo, mas me permiti aceitar que a história não tinha mais a me oferecer. E até fiquei satisfeita.
Por ter uma narração que acompanha uma criança, a história tem uma linguagem suave e confortável. Tudo segue um fluxo tranquilo e os temas mais adultos são tratados com simplicidade. Essa foi a parte que mais me conquistou.
Não foi meu preferido de 2025, mas foi um dos melhores.
Adieu!
autora: Joanna Cannon
país: Inglaterra
leitura: livro físico
playlist: exeter

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