VIOLETA

 




Atrasada, como sempre quando o tema é “autores populares”, nunca tinha lido nada de Isabel Allende. Até janeiro deste ano, ela era apenas um sonho de leitura que eu nunca priorizava. E que delícia foi descobri-la!

“Violeta” foi mais uma leitura conjunta com minha amiga, e fiquei viciada à ponto de me dar conta de que tinha lido mais do que deveria quando já estava quase no fim do livro. Quase colapsei ao notar que tinha passado (muito) da meta diária da leitura combinada.

Mas é irresistível a história…

Violeta nasceu em 1920, na pandemia de Febre Espanhola, e narra sua história de forma quase epistolar à Camilo, que fica óbvio desde o começo que é alguém de sua família.

Sem dar nome ao país em que vive, Violeta fala sobre a Segunda Guerra Mundial e sobre a razão de a Febre Espanhola ter esse nome (a Espanha era o único país que falava a verdade sobre a pandemia durante a Primeira Guerra Mundial), abordando diretamente o impacto que os conflitos mundiais tiveram sobre os países latinos. Mas não apenas isso.

Em um século inteiro, Violeta aborda ditaduras, guerras, conflitos familiares, o papel da mulher na história, o aumento do narcotráfico (que não é um problema exclusivo da América Latina) e o peso de relações abusivas. Educação, carreira e maternidade também são temas recorrentes e fortes, assim como o peso do luto.

Mas tudo é lindamente escrito.

A escrita de Allende é delicada e confortável, tem um ritmo calmo e se carrega em emoções. A sinceridade dos acontecimentos e dos sentimentos é quase palpável. Poucas vezes vi escritas tão suaves e bem estruturadas em temas tão cruéis.

Enquanto lia, não sentia o tempo passar e fui me apegando à história. Cada personagem se colorindo diante dos meus olhos como magia.

Para ser a primeira experiência, senti que valeu muito a pena. Mesmo sabendo que há mais da família de Violeta em outras obras da autora.

“Violeta” se sustenta bem sozinho. A cadência sugere uma história que se encaixa perfeitamente em um cenário único. E me atrevo a soar repetitiva, mas é necessário: a história é viciante.

É quase impossível parar de ler.

Chegar ao último momento é angustiante, porque relembrar a pandemia de COVID19 dói. Especialmente para nós, que tivemos valas comuns e deboche. Nesse momento a história nos engole. Por sorte, é bem rápido.

Chorei no final.

Aparentemente, a história foi inspirada na vida da mãe da autora, e se assim for: que intensidade.

Adieu!



autora: Isabel Allende

país: Chile

leitura: livro físico 

playlist: guantánamo

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